Espetáculo Literário no Colégio Delta

         No último dia 24, o Colégio Delta viveu momentos de êxtase e poesia. A 38ª edição do Concurso de Poemas Marília Peres trouxe uma manhã cheia de encantos e poeticidade. O tema deste ano, “Sobreviver”, sugeriu um fértil trocadilho: poesias sobre a vida ou poemas sobre resistência, apesar das dificuldades do existir. Amparados por essas possibilidades, os alunos dos ensinos fundamental e médio produziram textos que emocionaram a plateia. O poder acolhedor, acalentador e questionador da literatura suscitou profundas reflexões, emocionando jurados, professores e familiares no concurso. Aliadas aos textos, apresentações musicais, protagonizadas por alunos, pais e funcionários da Instituição, ajudaram a abrilhantar o evento. Todavia, a estrela maior foram, sim, os escritos poéticos: “Afinal, a vida é assim mesmo,/Com altos e baixos, /mas para que desistir de ser feliz?”, concluía e indagava a aluna Gabryelli Victória, do 7º ano. A doçura infantil de Bernardo Borborema, 6º ano, com seus versos “A vida é como bala, / A gente gosta, mas uma hora acaba” revelam uma bonita metáfora quanto ao doce, embora finito, espetáculo da existência. Ficção e realidade se encontraram nas linhas do poema autobiográfico de João Pedro Ruas, jovem do 8º ano que viveu a angústia de aguardar um coração para o seu transplante, um drama real: “Viver é uma coisa de sorte, /talvez eu e mais um milhão / de pessoas poderíamos não estar aqui. / Mas graças à doação de órgãos, /podemos voltar a viver”.

A maturidade ao ler e problematizar o mundo foi a marca dos poemas do Ensino Médio. O fazer poético denunciando as agruras do mundo real ocupou as linhas engajadas da produção de Maria Clara Ruas. A poetisa do 1º ano usou o lirismo para questionar o destino deplorável das crianças no lixão: “Nada sabiam sobre viver, mas tinham que sobreviver/ (...) E sobre aquilo sabiam sorrir, pobres anjos, nobres calados pela opressão.”. A constatação sobre as ilusões da vida ficou a cargo de Filipe Amaral, discente do terceiro ano: “A vida não é um deslumbre; /Na verdade, mero vislumbre.”. A vencedora da manhã, Vivian Celeste, com uma produção digna da mineiridade de Carlos Drummond de Andrade, escreveu versos de esplêndida qualidade poética. Alegrar-se e encontrar contentamento apesar das “carrancas” que a vida impõe, em um poema de ritmo frenético, à semelhança da correria cotidiana, foi a mensagem vencedora: “carranca, carranca, carranca, sorriso... /espera: sorriso?”. Além da beleza do texto escrito, supremo pelo poder encantador da palavra, a encenação dos alunos ao declamá-los, cheios de ousadia e desprendimento, irmanou teatro e poesia. Assim foi com o jogral de abertura do evento e também com momentos deliciosos de palavra-viva e vivenciada, como a impecável apresentação de Luis Guilherme Bezerra, concluinte do ensino médio, que a todos emocionou com seu “Bom dia” poético.  Desse modo, resistindo à rasa percepção das coisas, o Concurso de Poemas “Marília Peres”, mais uma vez, permitiu a quem assistiu ao evento ainda crer que jovens fazem sim poesia, amam-na e são profundos no sentir, no resistir ao mero sobreviver e no fazer do agora um supremo espetáculo coroado pela inspiração do poetizar (-se).

                                                                  Professora Daniele Ribeiro

Concurso de Poemas Marília Peres

Colégio Delta

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